Mauro Jeusy Vieira Bechman, geógrafo.
A Geografia é uma das ciências mais antigas da humanidade, dispersa nos saberes da antiguidade há quem fale em que ela começou a existir com o próprio homo sapiens. Os caminhos da ciência foram se moldando com o aprimoramento do conhecimento da sociedade sobre a natureza e conseqüentemente trilhando outras perspectivas a partir do cartesianismo.
Este poderoso ramo do saber humano foi então a partir da divisão das ciências se departamentalizando refletindo no posicionamento da Geografia nas universidades. Este fato, estranho à natureza do pensamento geográfico, gerou um certo mal-estar nos geógrafos e nos epistemólogos da Geografia. Afinal, como poderia uma ciência cuja natureza generalizante e de conexidade assentar-se sob uma divisão administrativa e normativa da ciência, reinante nas universidades até os dias atuais.
Neste sentido, a Geografia enquanto campo disciplinar ficou posicionada junto às ciências sociais e humanas ora nas chamadas geociências e até nas ciências da terra. Isto tem, em certo sentido, estreitado o olhar geográfico, tendo o fragilizado durante décadas enquanto conhecimento válido para a explicação das ações e percepções humanas sobre o espaço.
A partir do último quartil do século XX, a Geografia retornou vigorosa ao debate científico em uma amplitude jamais vista, pois seus aspectos descritivos passaram a materializar-se na vida cotidiana pelas ações e movimentos dos novos paradigmas de questionamento do cartesianismo e do modernismo. Uma nova visão de ciência que emergia após as duas grandes guerras mundiais e os acintosos movimentos sociais e ambientais da década de 1960, trouxeram a Geografia para o embate junto a sociedade como instrumento de revelação-negação dos modelos societários como o capitalismo e o socialismo.
Elementos novos como a mutilculturalidade, a tranversalidade e transdiciplinaridade e o questionamento profundo do racionalismo nutrem o debate contemporâneo sobre a relação sociedade-natureza. Assim sendo, o geógrafo e os professores de Geografia passaram a ter papel de destaque numa sociedade que se mundializa e que não deseja cometer os mesmos erros de um passado que a Geografia vem denunciando enquanto um saber social. Seria pretensão demais esgotar o debate apenas nestas linhas. Mas encontrar uma razão para estudar Geografia seria enveradar por divagações, prefiro ficar com a visão do filosófo Antonin Artaud (1896-1948) em explicita que nossos corpos são com uma Geografia, cortado por linhas que se encontram e fogem à medida que podem ver os outros e a si mesmos como possibilidades outras.
Saudações Geográficas!
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